A onomatopeia é a figura de som que imita sons da realidade na própria pronúncia de palavras ou versos. Frequente em HQs, letras de música, poesia e publicidade. Com exemplos comentados de animais, objetos e literatura, e questões de banca pelo Método LETS da professora Letícia Góes.
A onomatopeia (do grego onomatopoiía: “ato de fazer palavras”; onoma = nome + poiein = fazer) é a figura de som que imita, por meio de fonemas ou palavras, os sons que existem na realidade: ruídos de animais, objetos, fenômenos naturais ou ações humanas. Integra o grupo das figuras de linguagem fonéticas, ao lado de aliteração, assonância e paronomásia.
A onomatopeia pode ser lexical (uma palavra já existente no vocabulário que imita um som: “tic-tac”, “miau”, “au-au”) ou frasal (uma sequência de fonemas ou palavras composta pelo poeta para imitar um som específico: “Nas asas do silêncio o sussurro sereno” imita o som do vento por aliteração com /s/).
Em provas de Cebraspe, FCC e ENEM, a onomatopeia é cobrada em análise de texto poético, em HQs e em textos publicitários. O Método LETS da professora Letícia Góes ensina o mecanismo da figura de forma lógica, sem decoreba.
O que é onomatopeia: tipos e mecanismo
O mecanismo da onomatopeia é a iconicidade sonora: a forma fônica da palavra ou sequência imita o som referido, criando uma relação motivada entre significante (som da palavra) e significado (som da realidade). Essa relação é diferente da arbitrariedade que caracteriza a maioria dos signos linguísticos.
A onomatopeia lexical é a mais fácil de identificar. Palavras como “tic-tac”, “miau”, “au-au”, “bum”, “puf” e “splash” foram criadas ou absorvidas pela língua justamente por imitarem sons reais. Muitas onomatopeias foram lexicalizadas e entram no dicionário como verbetes independentes.
A onomatopeia frasal (ou “onomatopeia de sequência”) é mais sofisticada: o poeta organiza fonemas de forma que a pronúncia do verso imite um som. A aliteração pode ter valor onomatopeico quando os fonemas repetem sons da realidade. A distinção entre aliteração com valor onomatopeico e onomatopeia pura é, às vezes, questão de grau.
Exemplos de onomatopeia comentados
Os exemplos abaixo cobrem os principais contextos em que a onomatopeia aparece em provas: animais, objetos, histórias em quadrinhos e poesia. Reconhecer a figura nesses diferentes suportes é o que as bancas exigem do candidato.
Onomatopeias lexicais de animais:
- Miau (gato), au-au (cachorro), cocoricó (galo), cri-cri (grilo), béé (ovelha)
- Nhenhém (som de fala ininterrupta), coaxar (rã)
Onomatopeias de objetos e fenômenos:
- Tic-tac (relógio), bum (explosão), plim-plim (sino de TV), toque-toque (batida na porta)
- Splash (queda na água), vrum (motor), click (câmera)
Onomatopeias em HQs:
- “BOOM!” (explosão), “CRACK!” (quebra), “ZAP!” (raio), “BANG!” (tiro)
- Em HQs, as onomatopeias são escritas em letras grandes, com formas tipográficas que imitam o movimento ou a intensidade do som.
Onomatopeia frasal em poesia:
- “O sussurro suave do vento sussurrando”: o /s/ repetido imita o som do vento (aliteração com valor onomatopeico).
- “O mar que bate, bate, bate, / bate na pedra e na areia”: a repetição de “bate” imita o ritmo das ondas.
Onomatopeia em HQs, música e publicidade
Nas histórias em quadrinhos, a onomatopeia é recurso gráfico e linguístico simultâneo. Palavras como “BOOM”, “CRACK” e “SPLASH” não apenas representam sons: sua tipografia (tamanho, forma, cor) imita visualmente a intensidade do som. O ENEM usa trechos de HQs para cobrar análise de onomatopeia com frequência.
Na música popular brasileira, a onomatopeia aparece em refrões e vocalizações: “lá-lá-lá”, “iê-iê-iê”, o “toc-toc” do pandeiro em sambas. Letristas usam onomatopeias para criar efeitos rítmicos e descritivos. Questões do ENEM que envolvem letras de música frequentemente exploram esse recurso.
Na publicidade, onomatopeias são usadas para criar impacto sonoro em slogans e jingles: o “plim-plim” da Globo, o “ri-ri-ri” de marcas de crédito, o “snap-crackle-pop” dos cereais internacionais. A eficiência comunicativa da onomatopeia em publicidade é tema de questões de análise de linguagem do ENEM.
Como a onomatopeia cai em concursos
A onomatopeia é cobrada principalmente no ENEM e em vestibulares de literatura. O formato mais comum é o de identificação em trecho de HQ ou poema, com a questão pedindo a nomenclatura da figura e a descrição de seu efeito. A estratégia é verificar se a palavra ou sequência fonética imita um som da realidade.
A pegadinha mais frequente é confundir onomatopeia com aliteração. A aliteração repete um fonema para criar efeito musical ou expressivo sem necessariamente imitar um som real. A onomatopeia tem como função principal imitar um som. Quando a aliteração cria um efeito de imitação sonora, as duas figuras coexistem: registre onomatopeia como figura principal e aliteração como recurso secundário.
Onomatopeia na Poesia Concreta e no Cordel Brasileiro
Dois movimentos literários brasileiros desenvolveram o uso da onomatopeia de formas radicalmente diferentes: a Poesia Concreta, que explorou a dimensão visual e sonora simultaneamente, e a Literatura de Cordel, que usa a onomatopeia como recurso de oralidade e de aproximação com o universo sonoro do sertão.
A Poesia Concreta dos anos 1950, com Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari, tratou a onomatopeia como fenômeno de fusão entre som, sentido e imagem visual. Em poemas concretos, a disposição gráfica das letras na página reforça o efeito sonoro onomatopeico: palavras como “BEBA” e “BOOM” não apenas reproduzem sons, mas constroem formas visuais que amplificam a experiência acústica. O ENEM já utilizou poemas concretos em questões sobre linguagem e significação.
Na Literatura de Cordel, a onomatopeia é recurso de aproximação com o público ouvinte, já que o cordel era originalmente recitado ou cantado em feiras. Sons de animais típicos do Nordeste, de fenômenos climáticos como a chuva e o trovão, e de instrumentos como o triângulo e o zabumba aparecem como onomatopeias que situam o ouvinte no universo sonoro da região. O ENEM usa textos de cordel com frequência crescente e cobra a identificação de recursos expressivos como a onomatopeia.
Na poesia infantil e na literatura infanto-juvenil brasileira, onomatopeias como “cocoricó”, “au-au” e “miau” são instrumentos didáticos de aquisição de linguagem. Em questões do ENEM que envolvem análise de gêneros multimodais e livros ilustrados, a onomatopeia aparece como elemento verbal e visual integrado.
Perguntas frequentes sobre onomatopeia
O que é onomatopeia?
A onomatopeia é a figura de som que imita sons da realidade na própria pronúncia de palavras ou sequências de fonemas. Pode ser lexical (palavras estabelecidas como “tic-tac” e “miau”) ou frasal (sequências construídas pelo autor para imitar um som). É uma das 4 figuras de som da Língua Portuguesa, ao lado de aliteração, assonância e paronomásia.
Onomatopeia aparece no ENEM?
Sim. O ENEM cobra onomatopeia em questões que envolvem textos de HQs, letras de música e poesia. As questões pedem a identificação da figura e a análise do efeito que ela cria no texto. Textos publicitários e de cordel também são fontes frequentes de questões sobre onomatopeia no exame.
Palavras como “miau” e “au-au” são figuras de linguagem?
Sim. Palavras como “miau”, “au-au” e “tic-tac” são onomatopeias lexicais: foram criadas ou incorporadas à língua pela sua capacidade de imitar sons reais. Em análise literária, quando um autor as usa com intenção expressiva, configuram a figura de linguagem onomatopeia. Em dicionário, são simplesmente palavras com origem onomatopaica.
Onomatopeia pode ser uma frase inteira?
Sim. A onomatopeia frasal ocorre quando uma sequência de fonemas ou palavras imita um som da realidade, sem que nenhuma palavra isolada seja onomatopeica. Um exemplo é “O sussurro suave deslizou”. Nesse caso, a repetição do /s/ imita o som do vento, configurando onomatopeia por aliteração. O poeta organiza os fonemas para criar iconicidade sonora.
Em questões de prova, a onomatopeia frasal exige atenção especial porque muitos candidatos só reconhecem a figura em palavras isoladas como “tic-tac” ou “miau”. Para identificar a onomatopeia frasal, o candidato deve ler o verso em voz alta e verificar se a sequência de fonemas reproduz um som da realidade, mesmo que nenhuma palavra isolada seja onomatopeica. Essa habilidade distingue os candidatos de alto desempenho em questões de análise poética do ENEM e do Cebraspe.
Para a reta final, o candidato deve revisar os contextos em que a onomatopeia aparece nas provas recentes: HQs no ENEM, letras de MPB no Cebraspe e poemas do Simbolismo na FCC. Cada contexto exige um nível diferente de análise: em HQs, a dimensão gráfica da onomatopeia é tão importante quanto a sonora; em MPB, o candidato deve relacionar a onomatopeia ao efeito rítmico da música; em poemas, deve identificar a onomatopeia frasal gerada pela aliteração com valor imitativo. Para aprofundar o estudo em todos esses contextos, assista às videoaulas da professora Letícia Góes, que trabalha a identificação da figura com exemplos progressivos de provas reais.